Abstract in English:
The leaves of the most important poisonous plant for cattle in Brazil, Palicourea marcgravii St. Hil., were found to be toxic also for goats. Doses of 0.6 to 1.0 g/kg of the fresh leaves, administered orally, caused death of 2/3 of the experimental goats. Symptoms of poisoning and death occurred in most goats when they were exercised. The course of the poisoning varied from 1 minute to as long as 2 days. In general, the course was longer than in bovines and ovines. The symptoms of poisoning by P. marcgravii in goats were reluctance to walk, walking with stiff legs, sternal decubitus, muscular tremors, falling over, laying on its side, and pronounced dyspnea. Exercise was found to always aggravate symptoms. The animals which had longer courses of poisoning, remained in a sternal position for most of the time, were listless and had anorexia. Post-mortem examinations revealed no important or constant lesions. Histopathological studies showed mainly regressive changes in heart, liver and kidney. Small foci of coagulative necrosis of heart fibers were seen in the myocardium of half of the cases and in one additional case greater areas of necrosis were observed; edema and vacuolization of haert fibers also occurred. Vacuolization and less commonly necrosis of liver cells was seen in most cases. Only one case of necrosis of the epithelial cells of the uriniferous tubules was seen in the kidney cortex.
Abstract in Portuguese:
Foi confirmada também para caprinos a toxidez das folhas de Palicourea marcgravii St. Hil., no Brasil, a planta tóxica de interesse pecuário mais importante para bovinos. Doses entre 0,6 e 1,0 gramas das folhas frescas, administradas por via oral, causaram a morte de mais de 2/3 dos caprinos. Os sintomas de intoxicação e a morte dos caprinos apareceram, na grande maioria dos casos, após exercício a que os animais experimentais eram submetidos, 2 vezes ao dia, a partir de aproximadamente 15 horas após a administração da planta. Além disto, o exercício, toda vez que era aplicado, também acentuava a sintomatologia, uma vez manifestada. A evolução clínica da intoxicação por P. marcgravii em caprinos variou de 1 minuto a 2 dias, portanto, de uma maneira geral, foi mais longa que a de bovinos e ovinos. Os sintomas observados foram relutância em andar, andar com membros rígidos, decúbito esterno-abdominal, tremores musculares, impossibilidade de ficar em pé, decúbito lateral, dispnéia acentuada e morte. Os animais que tiveram evolução mais longa, ficavam em decúbito esternal, apáticos, com anorexia. Não foram verificados achados de necropsia de relevância ou constantes. Os exames histopatológicos revelaram alterações no coração, fígado e rim, principalmente de natureza regressiva. No miocárdio observaram-se pequenos focos de necrose de coagulação de fibras cardíacas na metade dos casos; em um caso adicionalmente havia maiores áreas de necrose; com menor freqüência, ocorreu edema e vacuolização de fibras cardíacas. No fígado verificaram-se, na maioria dos casos, vacuolização e, menor escala, necrose de hepatócitos. No rim, em apenas um caso, havia necrose das células epiteliais dos túbulos uriníferos do córtex.
Abstract in English:
The six month serologic and allergic monitoring of 26 experimentally infected goats, by intradermic inoculation of 5, 20 and 100 Corynebacterium pseudotuberculosis cells, showed the development of both humoral and cellular imune responses at the sarne time. Only one goat did not develop antibodies, but showed a strong allergic reaction, during 22 weeks post-infection. The antibodies, investigated by the synergistic hemolysis inhibition test (Knight 1978), were first detected at the 3rd week and were most elevated at the 7th week post-infection. In 8 animals the antitoxins were persistent until the 29th week; in 7 animals the antibodies could not be detected between the 12th and the 24th week and in other 9 goats between the 5th and 8th week post-infection. Three animals did not show antibodies in any phase after the infection. The allergic reaction, evaluated by the lymphadenization test (Langenegger et al. 1987) in six-week intervals, showed the highest value between the 4th and the 6th week post-infection and then decreased slowly, following generally the antibody level. One third of the infected goats lost the antitoxin titre and the allergic reaction at the 9th and 10th week, having selfcures. A gradual decrease of the antitoxins titre and the allergic sensitization was observed until the total disappearance in some goats with chronic lymphnode abscesses which did not ulcerate, despite live C. pseudotuberculosis still being in the lesion.
Abstract in Portuguese:
O monitoramento sorológico e alérgico de 26 caprinos infectados experimentalmente por inoculação intradérmica de 5, 20 e 100 bactérias de Corynebacterium pseudotuberculosis, durante 6 meses, revelou que as respostas imunológicas humoral e celular desenvolveram-se paralelamente, exceto em um animal no qual não foram detectadas antitoxinas, porém forte reação alérgica até a 22ª semana pós-infecção. A pesquisa de antitoxinas feita através da técnica da Inibição da Hemálise Sinérgica (Knight 1978), revelou a presença de anticorpos a partir da 3ª e atingiu maior concentração na 7ª semana pós-infecção. Em 8 animais a presença destas persistiu até a 29ª semana; em 7 desapareceu entre a 12ª e 24ª e em 9 entre a 5ª e 8ª semana. Três animais não reagiram com título igual ou superior à diluição 1:20. A linfadenização (Langenegger et al. 1987), feita em intervalos de 6 semanas, revelou reações maiores entre a 4ª e 6ª semana pós infecção. Depois a sensibilidade alérgica decrescia, pouco a pouco, acompanhando grosseiramente o declínio do nível das antitoxinas. Em um terço dos animais houve autocuras a julgar pela regressão total das antitoxinas e perda da sensibilidade alérgica a partir da 9ª e 10ª semana pós-infecção. Em alguns caprinos cujas lesões ganglionares se tornavam crônicas sem ulcerar, observou-se também progressiva regressão, tanto das antitoxinas quanto da reação alérgica, até o seu desaparecimento, apesar da presença de C. pseudotuberculosis na lesão.
Abstract in English:
Plant poisoning was suspected as a cause of the so called "swollen-brisket-disease" (a disease characterized by edema of the brisket) which occurs in certain areas of the State of Santa Catarina, Southern Brazil. In order to establish the etiology of this disease, Brunfelsia pauciflora (Cham. Et Schlecht.) Benth. (of the Solanaceae family) was fed experimentally to cattle, as it is found in large quantities in the pastures where the disease occurs. The plant was given in the fresh or dried stage, in single or repeated administrations to 11 bovines. All but one experimental animal showed symptoms of poisoning; none died due to the ingestion of the plant. The symptoms always seen in experimental poisoning by B. pauciflora, was mainly nervous excitement. This was very uniform, but varied in intensity. Symptoms included playing with the tongue, chewing movements, salivation, restlessness, stretching and shaking of the hindlegs, excitability and muscular tremors, sometimes with sudden contractions, lack of stability and the animal sometimes falling to the ground. Four animals head epileptic seizures. Loss of appetite and weight and liquid feces, also occurred. In the experiments with single doses, the symptoms were observed during 4 to 9 days, in the last third of which being less intense. In the experiments with repeated doses, symptoms grew less intense with time until they disappeared. They only reappeared or intensified on rainy days, later during the experiment not even then. Postmortem and histopathological examinations showed no lesions in 6 slaughtered experimental animals. The nervous symptoms seen in experimental poisoning by B. pauciflora are very different from those seen in the "swollen brisket disease", which are of cardiac origin.
Abstract in Portuguese:
Com a finalidade de esclarecer a causa da "doença-do-peito-inchado" (enfermidade que ocorre em certas regiões de Santa Catarina e que cursa com edemas da região esternal), diversas plantas foram submetidas à experimentação em bovinos e, entre elas, Brunfelsia pauciflora (Cham. et Schlecht.) Benth. (fam. Solanaceae), pois havia coincidência de seu habitat com os pastos onde ocorre a maior incidência da doença e por neles essa planta ser abundante. A planta revelou-se t6xica, tanto em doses únicas como repetidas, em estado fresco ou dessecado, porém não causou a morte de nenhum dos 10 bovinos que mostraram sinais clínicos. Os sintomas observados na intoxicação experimental por B. pauciflora eram principalmente de natureza nervosa, muito uniformes, somente variando em intensidade. Constatou-se movimentação atípica da língua, movimentos de mastigação, sialorréia, o animal elevava contínuamente as pernas como que sapateando, esticando uma ou outra perna para traz, sacudindo-a, hiperexitação, tremores musculares, por vezes acompanhados de contrações súbitas, desequilíbrio e, por vezes, quedas. Quatro animais tiveram, adicionalmente, ataques epileptiformes. Havia ainda diminuição de apetite, emagrecimento e fezes líquidas. Nos experimentos de administrações únicas os sintomas foram observados durante 4 a 9 dias, diminuindo em intensidade no terço final. Nos experimentos de administrações repetidas, com o passar dos dias, a intensidade dos sintomas foi diminuindo até desaparecer, só havendo exacerbação ou reaparecimento em dias de chuva e, posteriormente, nem nessas condições. À necropsia e ao exame histológico não foram encontradas alterações dignas de nota em 6 animais sacrificados. Desta maneira, fica evidente que B. pauciflora não é responsável pela "doença-do-peito-inchado". A sintomatologia nervosa que ocorreu na intoxicação experimental por B. pauciflora difere grandemente dos sintomas de origem cardíaca, observados na "doença-do-peito-inchado".
Abstract in English:
An outbreak of primary photosensitization in cattle, grazing on a pasture invaded by Ammi majus, in Southern Brazil, is described. The disease occurred during December and January in a herd of 14 cows and 14 calves. Clinical signs were characterized by dermatitis in the udder of the cows and keratoconjuntivitis in the calves. Regression of the lesions was observed after the withdrawel of the animals from the pasture. The disease was reproduced in calves by the administration of A. majus seeds at a dosis of 1.7 to 8 g/kg of body weight. The experimental animals showed ocular discharge, oedema of the eyelids, keratitis and dermatitis of the muzzle.
Abstract in Portuguese:
Descreve-se um surto de fotossensibilização primária em bovinos no município de Bagé, Rio Grande do Sul, em uma pastagem invadida por Ammi majus. A doença ocorreu nos meses de dezembro e janeiro em um grupo. de 14 vacas e 14 terneiros da raça Hereford. Os animais apresentaram fotossensibilização, caracterizada por dermatite no úbere das vacas e ceratoconjuntivite nos terneiros, que regrediram após a retirada dos animais da pastagem. A doença foi reproduzida experimentalmente, em 6 terneiros, com sementes de A. majus, nas doses de 1,7 a 8 g/kg de peso vivo, observando-se corrimento ocular, edemas das pálpebras, ceratite e dermatite no focinho.
Abstract in English:
Clinical and pathological data are presented on the experimental poisoning of cattle by Stryphnodendron coriaceum Benth. (Leg. Mimosoideae), an important toxic plant in the State of Piauí, northeastern Brazil. The whole pods of this tree were administered orally, in single or split doses, to 15 young bovines. A single dose of 10 g/kg caused death of all animals. The sarne dose split in 2 or 4 daily administrations (5 g/kg for 2 or 2.5 g/kg for 4 days) caused death of one third and symptoms of variable intensity in the rest of the animals; 1.25 g/kg/day given for 8 days, did not cause any poisoning symptoms. First symptoms in the animals which suffered severe poisoning (12 animals) were observed 24 to 72 hours after feeding pods. The course of the poisoning in the animals that died varied form 3 to 23 days. Digestive disturbances were the most obvious clinical symptoms; the most important of these were congestion of the mucosa of the oral cavity and salivation. Vomiting of ruminal contents, with consequent aspiration pneumonia was seen in some animals. There were some cases of diarrhea. Slight photosensitization of short duration occurred initially; in one animal the skin lesions were severe enough as to evolve from the congestive phase to exudation and necrosis of the superficial parts of the skin. There were some cases of slight icterus. The most important post-mortem finding was edema of the mucosa of the abomasum. Histopathological examinations showed degenerative changes in liver and kidney and sometimes bile pigment in the liver.
Abstract in Portuguese:
São fornecidos os dados clinico-patológicos da intoxicação experimental em bovinos por Stryphnodendron coriaceum (Leg. Mimosoideae), importante planta tóxica de interesse pecuário do Piauí. As favas desta árvore foram administradas por via oral, inteiras, em doses únicas ou repetidas, a 15 bovinos jovens. A dose de 10 g/kg administrada de uma só vez, causou a morte de todos os bovinos. Esta mesma dose quando subdividida em 2 ou 4 administrações diárias (5 g/kg em 2 ou 2,5 g/kg em 4 dias seguidos), causou a morte de um terço e sintomas de intensidade variável no restante dos animais; 1,25 g/kg/dia administrados durante 8 dias seguidos, não causaram sintomas de intoxicação. Os primeiros sintomas nos animais que sofreram intoxicação mais grave (12 bovinos) foram observados 24 a 72 horas após a 1ª administração da fava. A evolução da intoxicação nos animais que morreram foi de 3 a 23 dias. No quadro clínico predominaram perturbações digestivas; as mais importantes foram congestão da mucosa bucal e sialorréia, em alguns havendo regurgitamento de conteúdo ruminal, com conseqüente broncopneumonia por aspiração. Em alguns casos houve diarréia. Havia leve fotossensibilização passageira logo no início da intoxicação; só em um animal esta foi tão forte que evoluiu da fase congestiva passando pela fase exudativa até a necrose da pele. Às vezes havia leve icterícia. À necropsia havia edema da mucosa do abomaso e histologicamente observaram-se lesões degenerativas no fígado e rim, às vezes com presença de pigmento biliar no primeiro.
Abstract in English:
In experimental studies seven 12 to 30 year old horses were force-fed through a nasoesophagic tube with ground Cassia occidentalis seeds admixed in water. Four horses died after receiving seeds corresponding to 1.5, 1.75 and 2g of seeds per kg (respectively 0.15, 0.175 and 0.2 per cent) of their body weight. A fifth horse was killed in extremis after receiving 3g of seeds per kg of body weight. The clinical disease induced by the plant in these five horses had a course of 4 to 96 hours and included signs of depression, muscle tremors, incoordinated and swaying gait, tachycardia, dyspnea and increase in serum leveis of creatine phosphokinase, aspartate transaminase and gamma glutamyl transferase. The main necropsy f"mdings included a swollen liver with marked lobular pattern in the natural surface and a nutmeg aspect of the cut surface; reddening of the intestinal mucosa; hemorrhages in the adrenal glands; suffusions and hemorrhages in the epi- and endocardium; pulmonary congestion and edema. Histologically there was hepatocellular degeneration and necrosis associated, in some cases, with polimorphonuclear neutrophylic infiltrates. The skeletal muscles had variable degrees of degenerative and necrotic lesions. The clinic-pathological alterations observed in these five horses suggest hepatotoxic and myotoxic principies in the C. occidentalis seeds, and a cumulative effect in those animals which were exposed to doses over 1.75g/kg of their body weight, fractioned up to eigth administrations. Two horses to which 1 and 2g of the seeds per kg were fed, survived. The horse which received 1g of the ground seeds per kg presented a mild muscular disfunction and recovered completely. These two horses were killed for post-mortem examination 30 days after they had received the last administration of seeds. Necropsy findings were negative, and no lesions which could be attributed to the effects of the plant were observed on histopathological examination.
Abstract in Portuguese:
Num estudo experimental sete eqüinos com idades entre 12 e 30 anos receberam, via sonda naso-esofágica, sementes de Cassia occidentalis, trituradas e misturadas com água. Quatro eqüinos morreram após receberem 1,5, 1,75 e 2g de sementes por kg de seu peso corporal. Um quinto eqüino foi sacrificado in extremis após ter recebido 3g de sementes por kg. A doença induzida pela planta nesses cinco eqüinos teve uma evolução de 4 a 96 horas e incluía sinais clínicos tais como: abatimento, tremores musculares, incoordenação motora, andar cambaleante, taquicardia, dispnéia e elevação dos níveis séricos das enzimas creatina fosfoquinase, aspartato transaminase e gama glutamiltransferase. Os achados de necropsia mais importantes foram fígado tumefeito e com acentuação do padrão lobular na superfície natural e aspecto de noz moscada na superfície de corte; aver- melhamento da mucosa intestinal; hemorragias na superfície de corte das adrenais; hemorragias subepicárdicas e subendocárdicas; congestão e edema pulmonar. Histologicamente, havia degeneração e necrose hepatocelulares acompanhadas, em alguns casos, por infiltrado polimorfonuclear neutrofílico. Na musculatura esquelética havia lesões degenerativas e necróticas em graus variáveis. As alterações clínico-patológicas apresentadas por esses cinco eqüinos, sugerem uma ação hepatotóxica e miotóxica dos princípios químicos contidos nas sementes, bem como um efeito acumulativo nos animais que receberam dosagens acima de 1,75g/kg repartidas em até oito administrações. Dois eqüinos que receberam 1 e 2g de sementes por kg do peso corporal, sobreviveram. O eqüino que recebeu 1g/kg, apresentou leve disfunção muscular e recuperou-se completamente. Esses dois eqüinos foram sacrificados e necropsiados 30 dias após a última administração das sementes. À necropsia e exame histopatológico não se evidenciaram lesões macro e microscópicas que pudessem ser associadas à planta.
Abstract in English:
The toxicity of 5 species of Senecio was studied' experimentally in cattle and chicks. The chicks were fed during 60 days with a ration containing 5% of dry plant. All Senecio species were toxic in the following sequence of toxicity: S. brasiliensis, S. heterotrichius, S. cisplatinus, S. selloi and S. leptolobus. To cattle the plants were administrated at 22.5, 45, 90 and 180g per kg of body weight in a period from 15 to 39 days. S. leptolobus was not toxic at these doses. The other 4 species were toxic indicating its paiticipation in the occurrence of seneciosis in cattle in southem Brazil. The determination of the alkaloid content showed integerrimine and retrorsine (0.31 % of dry weight) in S. brasiüensis and S. heterotrichius (0.19%); retrorsine and senecionine in S. cisplatinus (0.16%) and S. selloi (0.10%) and neosenkirkine and florosenine in S. leptolobus (0.005%). Integerrimine, retrorsine, mixtures of integerrimine-retrorsine and neosenkirkine-florosenine were fed to chicken at 50mg per kg of food during 45 days; The mixture of necisenkirkine-florosenine was less toxic than the others. The alkaloids showed less toxicity than the dried plants, due probably to the loss of alkaloids during extraction or drying procedure or storage contions of the plants.
Abstract in Portuguese:
Com o objetico de determinar a toxicidade de espécies de Senecio existentes na região, cinco espécies desse gênero de planta foram administradas experimentalmente a frangos e bovinos. Para os frangos; que receberam a planta dessecada misturada a 5% na ração durante 60 dias, todas as espécies resultaram tóxicas na seguinte ordem de toxicidade: Senecio brasiliensis, S. heterotrichius, S. cisplatinus, S. selloi e S. leptolobus. Aos bovinos, as plantas acima mencionadas foram administradas dessecadas nas doses de 22,5, 45, 90 e 180g/kg de peso vivo. S. leptolobus não resultou tóxico nas doses utilizadas, e as outras 4 espécies foram tóxicas, o que evidencia que elas provavelmente participam na etiologia da seneciose em bovinos da região, de vez que tem sido encontradas com evidências de terem sido consumidas. Foi realizada a determinação química do conteúdo de alcaloides das espécies de Senecio utilizadas, observando-se integerrimina e retrorsina em Senecio brasiliensis (0.31% da matéria seca) e S. heterotrichius (0,19%); retrorsina e senecionina em S. cisplatinus (0,16%) e S. selloi (0,10%) e neosenkirkina e florosenina em S. leptolobus (0,005%). Integerrimina, retrorsina, misturas de integerrimina e retrorsina e neosenkirkina e florosenina foram administradas a frangos, durante 45 dias, na dose de 50mg/kg de ração, sendo que as intoxicações provocadas pelos alcalóides foram menos graves que as induzidas pelas plantas dessecadas, o que, provavelmente, foi devido à perda de alcalóides durante o processo de extração e/ou durante a dessecação e armazenagem das plantas.
Abstract in English:
The toxicity of Sessea brasiliensis Toledo, a tree of the Solanaceae family, to cattle, sheep and goats was examined in further experimental feeding triais. 30 g/kg of fresh green plant collected during the dry season (August) was lethal to all animals. The symptomatology, the post-mortem findings and histological lesions, confirm the essencially hepatotoxic action of the plant. For the first time it was also possible to experimentally produce the nervous symptoms of excitation sometimes seen in natural poisoning. The experiments with bovines given repeated sublethal doses of the dried plant, showed that the plant can as well produce a toxic hepatitis, probably due to a cumulative effect, as well as hepatic cirrhosis, due to a slighter but continuous agression. The experiments performed in sheep and goats indicate that the plant is less toxic during the rainy season. The course of the poisoning in the experiments with single doses in sheep (up to 32 hours) was similar to that in cattle, but in the majority of goats the course was much longer (5 days). There were few symptoms of poisoning in sheep and goats; only anorexia was observed in sheep, whilst goats also had sófter faeces. All bovines given single doses showed a nut-meg appearance of the cut surface of the liver. Only some of the sheep and goats had this lesion. Histopathologically, the principal lesion was severe necrosis, which affected the centre and intermediate zones of the liver lobule in all 3 animal species. A greater incidence of degenerative lesions in the kidney was seen in goats perhaps due to the longer course of the poisoning than that of cattle and sheep.
Abstract in Portuguese:
Com o objetivo de complementar os dados sobre a toxidez de Sessea brasiliensis, Toledo, árvore da família Solanaceae, em bovinos e também testar a sensibilidade de ovinos e caprinos a essa planta, foram realizadas diversas séries de experimentos nessas espécies. Confirmou-se que a dose letal da planta verde fresca coletada na época de seca (agôsto) é 30 g/kg para bovinos; essa também é a dose letal para ovinos e caprinos. A sintomatologia nervosa de excitação às vezes descrita na intoxicaconfirmam a ação essencialmente hepatotóxica para bovinos, ovinos e caprinos. Pela primeira vez conseguiu-se reproduzir a sintomatologia nervosa de excitação às vezes descrita na intoxicação espontânea. Os experimentos em bovinos de administrações repetidas de doses subletais da planta dessecada demonstraram que a planta tanto pode provocar uma distrofia hepática grave (hepatite tóxica), que parece resultar de efeito tóxico acumulativo, como causar cirrose hepática, possívelmente resultante de uma agressão mais leve, porém contínua. Os experimentos em ovinos e caprinos indicam que na época de chuva a planta é menos tóxica. A evolução da intoxicação nos ovinos foi semelhante à dos bovinos (até 32 horas), porém na maioria dos caprinos essa foi bem mais longa (5 dias). Os sintomas da intoxicaçõa nos ovinos e caprinos foram bastante escassos; nos ovinos observou-se praticamente só anorexia, nos caprinos adicionalmente diminuição da consistência das fezes. Enquanto todos os bovinos dos experimentos de administrações únicas tinham a superfície de corte do fígado com aspecto de noz moscada, só parte dos ovinos e caprinos mostraram essa lesão. Em relação aos achados histopatológicos chama a atenção, que além da acentuada necrose das zonas centrolobular e intermediária do fígado, principal lesão em todas as 3 espécies animais, nos caprinos havia uma incidência maior de lesões degenerativas no rim que nos ovinos e bovinos, o que talvez esteja relacionado com a evolução mais longa nessa espécie.
Abstract in English:
Experimental neonatal colibacillosis, in newbom piglets was attempted using 4 groups of enterotoxigenic Escherichia coli (ETEC) strains, as follows: 1) Two strains from serogroup 0149:K91, both producing thermolabile enterotoxin (LT) and K88 colonization factor; 2) Two strains from serogroup 0101:K30, producing thermostable enterotoxin (STa) and K99 colonization factor; 3) One strain from serogroup 0157:K?, producing thermostable enterotoxin of the STb type and K88 antigen, and 4) One strain from serogroup 08:K?, producing STa enterotoxin anda new colonization factor, named F42. All fourteen piglets inoculated orally with these strains of ETEC developed clinical disease and died up to 42 hours after inoculation, being possible to visualize, by indirect fluorescent antibody technique, in all of them, that colonization of small intestine by the inoculated ETEC had occurred. The production of STa "in vivo", into the gut, by strains from group 2 and 4 was an important factor to prove that experimental colibacillosis did occur. In fact, coprocultures either from the diarrheic stools or from the gut contents revealed a high rate of LT+-K88+ and STa+ -K99+ colonies recovery. Though some quantitative differences among the examined materiais have been observed, the recovery of STa + -F42 + colonies was lower than in the former groups of ETEC strains. However clinical symptoms, production of STa "in vivo" and colonization of the gut of inoculated piglets proved that F42 antigen is undoubtedly a new colonization factor among ETEC involved in porcine colibacillosis.
Abstract in Portuguese:
Foi tentada a reprodução experimental da colibacilose suína neonatal, em leitões recém-nascidos, usando-se para tal 4 grupos de amostras de Escherichia coli enterotoxigênicas (ETEC), a saber: 1) Duas amostras do sorogrupo 0149:K81, produtoras da enterotoxina termolábil (L T) e do fator de colonização K88; 2) Duas amostras do sorogrupo 0101:K30, produtoras da enterotoxina termoestável (STa) e do fator de colonização K99; 3) Uma amostra do sorogrupo 0157:K?, produtora da enterotoxina termoestável do tipo STb e do fator de colonização K88, e 4) Uma amostra do sorogrupo 08:K?, produtora da enterotoxina termoestável (STa) e de um novo fator de colonização, denominado F42. Todos os 14 leitões inoculados por via oral com estas amostras de ETEC desenvolveram doença clínica com morte até 42 horas após a inoculação, tendo sido possível detectar em todos eles a colonização do intestino delgado pelas amostras de ETEC inoculadas, através da técnica de imunofluorescência indireta. A produção de STa "in vivo", por amostras dos grupos 2 e 4 foi um fator importante na comprovação de que a reprodução experimental da doença por estas amostras realmente ocorreu. De fato, a coprocultura, quer das fezes diarréicas, quer do conteúdo intestinal dos animais, revelou um alto índice de recuperação de colonias LT+ -K88+ e STa+ -K99+. Embora tenham ocorrido entre os diversos materiais examinados algumas diferenças quantitativas, a recuperação de colônias STa=+ -F42+ foi menor do que nos casos anteriores, porém os achados referentes a doença clínica, produção de STa "in vivo" e colonização do intestino delgado dos leitões inoculados, comprovaram que o antígeno F42 é, sem dúvida, um novo fator de colonização em amostras de ETEC envolvidas na colibacilose suína.
Abstract in English:
Studies on "swollen brisket disease", a heart complaint of subacute to chronic course, occurring in cattle in Santa Catarina, suggest that the probable cause is a toxic plant. Corisequently various suspicious plants were administered experimentally to bovines. The habitat of one of these plants, Senecio desiderabilis Vell., of the Compositae family, coincided well with the pastures where the disease occurs. Feeding it caused a chronic poisoning, whose clinical-pathological picture was characterized by icterus, abdominal contractions, nervous symptoms, liver cirrhosis and edemas. This picture is very similar to that which occurs in poisoning by pyrrolizidine containing plants, but is very different from that seen in "swollen brisket disease". S. desiderabilis probably belongs to the less poisonous species of Senecio already studied in Brazil. Only 2 bovines fed S. desiderabilis showed symptoms of poisoning and died; they had ingested the plant in its flowering stage at daily doses of 10 g/kg (fresh weight), one for 29, the other for 102 days. Larger single doses of 20 and 40 g/kg, or smaller ones (2.5 and 5 g/kg) of flowering plants repeated for 281 days, or 10 g/kg in the vegetative stage given for 141 days, did not produce symptoms of poisoning or death. One other bovine receiving 10 g/kg of the plant at various growth stages for 43 days, was also without symptoms. But in a few (3) of the bovines which did not show symptoms of poisoning, slight liver lesions were found at post-mortem and/or on histological examination, when sacrificed 2 or more years later.
Abstract in Portuguese:
Os estudos realizados no sentido de esclarecer a causa da "doença-do-peito-inchado", enfermidade de origem primariamente cardíaca que ocorre principalmente em bovinos do Estado de Santa Catarina, levaram à supeita de tratar-se de intoxicação por planta. Com o fim de se identificar o agente etiológico, diversas plantas suspeitas foram submetidas a experimentação em bovinos. Uma das plantas, cujo habitat era bastante coincidente com os pastos onde ocorre a doença e sobre a qual caiu a suspeita mais forte, foi Senecio desiderabilis Vell., da família Compositae. Nesses experimentos S. desiderabilís realmente revelou-se tóxica para bovinos, tendo causado intoxicação crônica, cujo quadro clínico-patológico se caracterizou por icterícia, contrações abdominais, sintomas nervosos, cirrose hapática e edemas. Este quadro se assemelha muito ao verificado nas intoxicações por plantas que contém alcalóides pirrolizidínicos, porém difere grandemente do observado na "doença-do-peito-inchado". Há indícios de que S. desíderabílís pertença às espécies de Senecio menos tóxicas estudadas até agora no Brasil. Nos experimentos com S. desiderabilís (planta dessecada) adoeceram e morreram os dois bovinos que ingeriram a planta com inflorescência na dose diária de 10 g/kg (correspondente ao peso da planta fresca), um após 29, o outro após 102 administrações diárias. Doses maiores (20 e 40 g/kg), porém únicas, ou menores (2,5 e 5 g/kg), mas repetidas diariamente, da planta com inflorescências, administradas 281 vezes e dose diária de 10 g/kg da brotação administrada 141 vezes não causaram sintomas ou morte dos animais. Um bovino recebeu ainda 10 g/kg/dia da planta em diversas fases de evolução, 43 vezes e também não adoeceu. No entanto, em alguns desses bovinos (3) que não adoeceram, mas que foram sacrificados após pelo menos 2 anos desde o início do experimento, encontraram-se leves alterações hepáticas macroscópicas e/ou histológicas.