Resultado da pesquisa (18)

Termo utilizado na pesquisa Caldas S.A.

#1 - Guidelines for the diagnosis and differential diagnosis of snakebite envenoming of ruminants in Brazil

Abstract in English:

In Brazil, snakebites are often cited as a cause of mortality in ruminants, but there are discrepancies in the literature regarding its actual prevalence, either by lack of diagnosis or by mistakes in the differential diagnosis. Among the factors that hinder the diagnosis are included the inconsistencies to distinguish between accidents caused by Bothrops and Crotalus, responsible for over 90% of the cases. For the diagnosis of accidents involving Lachesis muta, both the neurotropic and the proteolytic/hemolytic effects must be considered, similar to what is described in Crotalus scutulatus. This article describes the main clinical, pathological, and laboratory findings observed in envenoming by the aforementioned snakes and suggests procedures for establishing the diagnosis and differential diagnosis starting from a logical sequence, based on epidemiological evidence, clinical, laboratory, and pathological findings.

Abstract in Portuguese:

No Brasil, acidentes ofídicos são frequentemente citados como causa de mortalidade em ruminantes, mas existem discrepâncias em relação a sua atual prevalência, seja por falta de diagnóstico ou por erros no diagnóstico diferencial. Entre os fatores que dificultam o diagnóstico estão as inconsistências para distinguir entre os acidentes causados por Bothrops e Crotalus, responsáveis por mais de 90% dos casos. Para o diagnóstico de envenenamentos por Lachesis muta, devem ser considerados os efeitos neurotrópico e proteolítico/hemolíticos concomitantes, a exemplo do que ocorre com algumas cascavéis norte-americanas (Crotalus scutulatus, entre elas). Este artigo descreve os principais achados clinicopatológicos e laboratoriais observados em casos de envenenamento pelas serpentes citadas e sugere um roteiro simplificado para o estabelecimento do diagnóstico e diagnóstico diferencial, a partir de uma sequência lógica, baseada em evidências epidemiológicas e achados clínicos, laboratoriais e patológicos.


#2 - Clinical and laboratory findings in sheep experimentally poisoned by Palicourea marcgravii and the use of magnesium chloride with possible therapeutic effect on poisoning

Abstract in English:

This study aimed to examine the efficacy of magnesium chloride therapy in sheep experimentally poisoned by Palicourea marcgravii and describe the clinical and laboratory findings that may aid in early ante mortem diagnosis of this poisoning. P. marcgravii is an important plant within a group of 22 species in Brazil that cause “sudden death.” Its toxic component is sodium monofluoroacetate. It was observed that a time for evolution of poisoning was longer in our study compared to other studies that used the same dose of P. marcgravii in sheep. However, all animals that were poisoned and subsequently treated with magnesium chloride died. The sheep presented characteristic clinical signs before death in addition to other signs that have not been previously described for this type of poisoning, such as abdominal breathing, coughing, head pressing, and nystagmus. This is the first evaluation of hematological parameters of sheep poisoned by P. marcgravii. Leukocytosis with neutrophilia, hyperfibrinogenemia, and hyperglycemia, associated with hypophosphatemia and elevated levels of serum aspartato aminotransferase (AST), glutamate dehydrogenase (GLDH), urea, creatinine, creatine kinase (CK) and lactate dehydrogenase (LDH), were observed. Additionally, changes were noted in necropsy, such as engorged jugular, large vessel congestion, pulmonary edema. Histological examination revealed vacuolar hydropic degeneration in the distal twisted uriniferous tubules in the kidneys, similar to those reported in previous studies on P. marcgravii poisoning.

Abstract in Portuguese:

O presente estudo objetivou verificar a eficácia terapêutica do cloreto de magnésio em ovinos intoxicados experimentalmente por Palicourea marcgravii e descrever os achados clínicos e laboratoriais que possam auxiliar no diagnóstico precoce ante mortem dessa intoxicação. P. marcgravii é a principal planta dentro de um grupo de 22 espécies que causam “morte súbita” no Brasil e seu princípio tóxico é o monofluoracetato de sódio. Durante o procedimento, observou-se maior tempo de evolução em relação a outros trabalhos utilizando-se a mesma dose da P. marcgravii em ovinos, entretanto todos os animais intoxicados e posteriormente tratados com cloreto de magnésio vieram a óbito. Os ovinos apresentaram sinais clínicos característicos antes da morte, associados a sinais nunca antes descritos nesse tipo de intoxicação, como respiração abdominal, tosse, “head pressing” e nistagmo. Trata-se da primeira avaliação dos parâmetros hematológicos de ovinos intoxicados por P. marcgravi. Foi observado leucocitose com neutrofilia, hiperfibrinogemia e hiperglicemia, associado a elevação dos valores séricos de AST, GLDH, ureia, creatinina, CK, LDH e hipofosfatemia. À necropsia foram notadas alterações como jugular ingurgitada, congestão de grandes vasos, edema pulmonar. Histologicamente havia degeneração hidrópica vacuolar nos túbulos uriníferos contorcidos distais no rim, semelhantes às já relatadas em estudos anteriores, na intoxicação por P. marcgravii.


#3 - Tremorgenic syndrome caused by Ipomoea pes caprae in cattle

Abstract in English:

Poisonous plants are a significant cause of death among adult cattle in Brazil. Plants that affect the central nervous system are widely spread throughout the Brazilian territory and comprise over 30 toxic species, including the genus Ipomoea, commonly associated with a lysosomal storage disease and a tremorgenic syndrome in livestock. We describe natural and experimental Ipomoea pes caprae poisoning in cattle from a herd in the Northside of Rio de Janeiro, Brazil. Affected cattle presented episodes of severe ataxia, abnormal posture followed by falling, muscular tremor, contraction, and spasticity, more prominent in the limbs, intensified by movement and forthcoming, and recumbence. Grossly, a substantial amount of leaves and petioles were found in the rumen. Histopathological examination showed degenerative neuronal changes, mostly in cerebellar Purkinje cells, which were confirmed with Bielschowsky silver. The characteristic clinical changes and mild histological lesion strongly suggested a tremorgenic syndrome. Lectin- immunohistochemistry evaluation reinforced this hypothesis; all lectins tested failed to react with affect neurons and Purkinje cells, which ruled out an underlying lysosomal storage disease. One calf given I. pes caprae leaves experimentally developed clinical signs similar to natural cases. On the 28th day of the experiment, the plant administration was suspended, and the calf recovered within four days. I. pes caprae’s spontaneous tremorgenic syndrome in cattle is conditioned to exclusive feeding for several months. We were able to experimentally reproduce toxic clinical signs 12 days following the ingestion.

Abstract in Portuguese:

A intoxicação por plantas tóxicas está entre as três causas de morte mais importantes em bovinos adultos no Brasil. O grupo das plantas que causam alterações neurológicas, muito bem representada no país, encerra mais de trinta espécies tóxicas, entre as quais do gênero Ipomoea, amplamente distribuídas no território brasileiro. As plantas tóxicas desse gênero podem causar doenças do armazenamento ou síndrome tremorgênica. Descrevem-se a intoxicação natural e reprodução experimental por Ipomoea pes caprae em bovinos, verificada no norte do Estado do Rio de Janeiro. Foram observados episódios de intensa ataxia locomotora, postura anormal seguida de queda, incapacidade de levantar-se, tremores, contrações, espasticidades musculares nos membros, intensificados após estimulação ou a simples aproximação e decúbito. Nos bovinos afetados há mais de 6 meses, os sinais clínicos tornavam-se permanentes. À necropsia havia apenas significativa quantidade de folhas e pecíolos da planta no rúmen. O estudo histopatológico evidenciou lesões neuronais degenerativas principalmente nos neurônios de Purkinje. A impregnação argêntica pela técnica de Bielschowsky ratificou esses achados microscópicos. As lesões histológicas sutis associadas ao quadro clínico indicam que trata-se de intoxicação tremorgênica. O fato de não haver nenhum armazenamento intracitoplasmático, confirmado pelo resultado do estudo lectino-histoquímico (não houve afinidade das lectinas Con-A, WGA e sWGA e de outras lectinas empregadas aos neurônios de Purkinje e outros neurônios afetados), é suficiente para descartar a possibilidade de tratar-se de doença do armazenamento. No bezerro intoxicado experimentalmente verificaram-se sinais clínicos semelhantes, entretanto, com a interrupção do fornecimento da planta no 28º dia, os sinais clínicos desapareceram após quatro dias. I. pes caprae causa síndrome tremorgênica espontânea em bovinos, quando ingerida como alimentação exclusiva durante períodos prolongados (muitos meses). Experimentalmente, os primeiros sinais clínicos da intoxicação foram reproduzidos após 12 dias de ingestão da planta.


#4 - An outbreak of malignant catarrhal fever in Sambar deer (Rusa unicolor), 38(8):1675-1680

Abstract in English:

ABSTRACT.- Oliveira M.C., Pereira G.O., Daoualibi Y., Dutra V., Brito M.F., Caldas S.A., Balthazar D.A. & Ubiali D.G. 2018. An outbreak of malignant catarrhal fever in Sambar deer (Rusa unicolor). Surto de febre catarral maligna em cervos Sambar (Rusa Unicolor). [Surto de febre catarral maligna em cervos Sambar (Rusa Unicolor).] Pesquisa Veterinária Brasileira 38(8):1675-1680. Setor de Anatomia Patológica, Departamento de Epidemiologia e Saúde Pública, Anexo do Instituto de Veterinária, Universidade Federal Rural do Rio de Janeiro, BR‑465 Km 7, Seropédica, RJ 23890-001, Brazil. E-mail: danielubiali@hotmail.com Malignant catarrhal fever (MCF) is an infectious, pansystemic and highly fatal disease with wide geographic distribution. The species that are clinically prone to it include cattle, deer and bison. In Brazil, the disease in ruminants and deer is associated with the contact with sheep, especially during labor, when the fetal remains that are eliminated contain the ovine herpesvirus 2 (OvHV-2). The outbreak took place in a conservationist property in the city of Casimiro de Abreu/RJ, which hosted 23 Sambar deer, and, of these, 19 died, showing neurological signs. The deer lived in a location together with 15 male and female meat sheep. A female specimen of the Sambar deer (Rusa unicolor), aged approximately three years, which had presented with neurological clinical signs was referred to necropsy in the Setor de Anatomia Patológica at Universidade Federal Rural do Rio de Janeiro (SAP/UFRRJ). During necropsy, cerebrospinal fluid was sampled for analysis; fragments of several organs were fixated in 10% buffered formalin and processed for histopathological analysis. Fragments of occipital lobe, cerebellum and bulb were collected to perform the polymerase chain reaction (PCR). The diagnosis of this outbreak was based on epidemiological, clinical and pathological findings, and on the amplification of the OvHV-2 DNA through PCR. The histological changes were the base to confirm the MCF case and were characterized by degeneration of vascular endothelial cells, fibrinoid vasculitis, hyperplasia and necrosis of lymphoid organs. However, PCR was an important tool to confirm the diagnosis. MCF as an important disease with nervous symptomatology in deer.

Abstract in Portuguese:

RESUMO.- Oliveira M.C., Pereira G.O., Daoualibi Y., Dutra V., Brito M.F., Caldas S.A., Balthazar D.A. & Ubiali D.G. 2018. An outbreak of malignant catarrhal fever in Sambar deer (Rusa unicolor). Surto de febre catarral maligna em cervos Sambar (Rusa Unicolor). [Surto de febre catarral maligna em cervos Sambar (Rusa Unicolor).] Pesquisa Veterinária Brasileira 38(8):1675-1680. Setor de Anatomia Patológica, Departamento de Epidemiologia e Saúde Pública, Anexo do Instituto de Veterinária, Universidade Federal Rural do Rio de Janeiro, BR‑465 Km 7, Seropédica, RJ 23890-001, Brazil. E-mail: danielubiali@hotmail.com A febre catarral maligna (FCM) é uma doença infecciosa, com distribuição geográfica ampla, pansistêmica e altamente fatal. As espécies clinicamente suscetíveis incluem bovino, cervo e bisão. No Brasil, a doença em ruminantes e cervídeos está associada ao contato com ovinos, principalmente durante o parto, no qual os envoltórios fetais eliminados contém, em suas secreções, o Herpesvírus ovino-2 (OvHV-2). O surto ocorreu em uma propriedade conservacionista no município de Casimiro de Abreu/RJ, que abrigava 23 cervos exóticos, onde foram registradas a morte de 19 destes, com sinais neurológicos. Os cervos habitavam em um piquete com 15 ovinos de corte, machos e fêmeas. Um exemplar de cervo sambar (Rusa unicolor), fêmea, com aproximadamente três anos de idade, que havia apresentado sinais clínicos neurológicos foi encaminhado para necropsia no Setor de Anatomia Patológica da Universidade Federal Rural do Rio de Janeiro (SAP/UFRRJ). Durante a necropsia foi realizada a coleta de líquido cefalorraquidiano e de fragmentos de lobo occipital, cerebelo e bulbo, para a realização de reação em cadeia da polimerase (PCR). Fragmentos de diversos órgãos foram fixados em formalina 10% tamponada e processados para a análise histopatológica. O diagnóstico do presente surto foi estabelecido com base nos achados epidemiológicos, clínicos, patológicos e na amplificação do DNA do OvHV-2 através da PCR. As alterações histológicas foram a base para confirmar o caso de FCM e caracterizaram-se por degeneração de células endoteliais vasculares, vasculite fibrinoide, hiperplasia dos órgãos linfoides. Contudo, a PCR foi uma ferramenta importante para a confirmação do diagnóstico. Ressalta-se a importância da FCM na lista dos diagnósticos diferenciais de doenças que cursam com sintomatologia nervosa em cervídeos.


#5 - Ulcerative dermatitis outbreaks caused by thorns of Mimosa setosa, M. debilis and M. pudica (Fabaceae) in horses, 36(10):979-985

Abstract in English:

ABSTRACT.- Caldas S.A., Cid G.C., Nogueira V.A., França T.N., Graça F.A.S. Dutra G.A., Jacob J.C.F. & Peixoto P.V. 2016. [Ulcerative dermatitis outbreaks caused by thorns of Mimosa setosa, M. debilis and M. pudica (Fabaceae) in horses.] Surtos de dermatite ulcerativa causados por espinhos de Mimosa setosa, M. debilis e M. pudica (Fabaceae) em equinos. Pesquisa Veterinária Brasileira 36(10):979-985. Departamento de Epidemiologia e Saúde Pública, Anexo I do Instituto de Veterinária, Universidade Federal Rural do Rio de Janeiro, Seropédica, RJ 23890-000, Brazil. E-mail: vivianmedvet@yahoo.com.br Mechanic natural skin lesions in horses caused by thorns of Mimosa spp. are described. Between the three plant species identified as responsible for the lesions, Mimosa setosa was present in greater quantity (80%) in the pasture, whilst M. debilis and M. pudica existed in lower proportion. Three ulcerative dermatitis outbreaks were observed during rainy periods of April to May 2013, December 2013 to February 2014 and April to May of the same year. Twenty-five horses from the Sector of Animal Reproduction, Federal Rural University of Rio de Janeiro, showed ulcerative skin lesions with irregular borders, hemorrhagic exudate, sometimes covered with scabs, located mainly in the regions of the pastern, fetlock, scapular-humeral joints, upper and lower lips, nose, nostrils, cheeks and chamfer. Seven horses were biopsied and histopathological examination revealed ulceration of the skin with inflammatory infiltrate by macrophages and neutrophils, delimited by granulation tissue. In some cases, microspicules of these plants (hirsute trichomes) were found throughout the inflammatory reaction. The diagnosis of skin dermatitis, caused by traumatic action of the plants, was based on the presence of Mimosa spp. in the pasture, on the characteristic clinic-pathological features and on recovery of the horses after their removal from the pasture. This appears to be the first report of the occurrence of ulcerative dermatitis caused by Mimosa setosa, as dermatitis caused by the others has been described before.

Abstract in Portuguese:

RESUMO.- Caldas S.A., Cid G.C., Nogueira V.A., França T.N., Graça F.A.S. Dutra G.A., Jacob J.C.F. & Peixoto P.V. 2016. [Ulcerative dermatitis outbreaks caused by thorns of Mimosa setosa, M. debilis and M. pudica (Fabaceae) in horses.] Surtos de dermatite ulcerativa causados por espinhos de Mimosa setosa, M. debilis e M. pudica (Fabaceae) em equinos. Pesquisa Veterinária Brasileira 36(10):979-985. Departamento de Epidemiologia e Saúde Pública, Anexo I do Instituto de Veterinária, Universidade Federal Rural do Rio de Janeiro, Seropédica, RJ 23890-000, Brazil. E-mail: vivianmedvet@yahoo.com.br Descrevem-se, na pele de equídeos, lesões de natureza mecânico-traumática causadas por espinhos de Mimosa spp. Dentre as três espécies da planta identificadas como responsáveis pelas lesões, M. setosa estava presente em maior quantidade (80%) e M. debilis e M. pudica encontravam-se em menor proporção na pastagem. Ocorreram três surtos de dermatite ulcerativa em períodos chuvosos de abril a maio de 2013, dezembro de 2013 a fevereiro de 2014 e abril a maio deste mesmo ano. Vinte e cinco equinos do Setor de Reprodução Animal da Universidade Federal Rural do Rio de Janeiro apresentaram, na pele, lesões ulcerativas com contornos irregulares, exsudato hemorrágico, recobertas por crostas. As lesões localizavam-se sobretudo nas regiões de quartela, boleto, articulação escapulo-umeral, lábios superior e inferior, focinho, narinas, bochechas e chanfro. Sete animais foram biopsiados e o exame histopatológico revelou ulceração da epiderme e infiltrado inflamatório constituído por macrófagos e neutrófilos, delimitado por tecido de granulação subjacente. Em alguns casos, foram observados microespículos das referidas plantas (tricomas hirsutos) em meio à reação inflamatória. O diagnóstico de dermatite cutânea causada pela ação traumática da planta baseou-se na presença de Mimosa spp. na pastagem, nas características e localização das lesões na pele dos equinos, nos achados histopatológicos e na recuperação após a retirada dos animais do pasto.


#6 - Experimental poisoning of rabbits by Metternichia princeps (Solanaceae), 32(9):872-880

Abstract in English:

ABSTRACT.- Maran N.B., Caldas S.A., Prado J.S., Gomes A.D., Tokarnia C.H. & Brito M.F. 2012. [Experimental poisoning of rabbits by Metternichia princeps (Solanaceae).] Intoxicação experimental por Metternichia princeps (Solanaceae) em coelhos. Pesquisa Veterinária Brasileira 32(9):872-880. Setor de Anatomia Patológica, Instituto de Veterinária, Universidade Federal Rural do Rio de Janeiro, Seropédica, RJ 23890-000, Brazil. E-mail: marilene@ufrrj.br Metternichia princeps, a tree that belongs to the Solanaceae family, occurs in the Atlantic Forest of Brazil, from the state of Rio de Janeiro to Bahia. In the county of Itaguaí, state of Rio de Janeiro, M. princeps was suspected to cause a lethal kidney disease in goats. The poisoning was experimentally reproduced in goats confirming the suspicion. Experiments were then performed in rabbits. Leaves of M. princeps were collected in the county of Itaguaí, where the poisoning in goats occurred. Eleven rabbits received the dried plant material, ten received the fresh plant and one rabbit served as control. The dehydrated leaves were ground and mixed with water. Initially the suspension was administered by stomach tube to nine rabbits and caused death of seven of them at doses from 0.125g/kg on. Two rabbits that got sick, but survived at doses of 0.0625g/kg and 0.125g/kg, received doses of 0.5 and 0.25g/kg respectively, two months later and died, indicating that no tolerance to the plant poisoning effects developed. Additionally the dried leaves administered six months after collection to two rabbits at doses of 0.5 and 1g/kg respectively, caused death only of the rabbit that received the dose of 1g/kg, indicating that the stored leaves lost toxicity. Fresh sprouts caused death in three of six rabbits at doses of 1.55g/kg to 3g/kg. Fresh mature leaves caused death in one of four rabbits at the dose of 2g/kg, what suggests that there is no difference in toxicity between mature leaves and sprouts. The dried leaves caused death of rabbits at smaller doses than fresh leaves, what can be explained by the way of administration of the plant; dried leaves were given within a few minutes, whilst fresh leaves were ingested during one or two days, a fact that may influence absorption of the toxic principle. In all experiments with the dried and fresh leaves (sprouts and mature leaves) of M. princeps, liver and heart lesions predominated. The course of the poisoning was peracute to acute. The rabbits became apathetic with pale and cyanotic mucosae and cold ears; they fell down with struggling movements, vocalization and spaced breathing and died. At postmortem examination, the liver was pale with marked hepatic lobules; the other organs were congested and blood vessels were ingurgitated. The histopathological examination revealed as the more important changes in the liver, intense, especially centrilobular congestion, severe swelling of the hepatocytes, and foci of incipient necrosis of hepatocytes. In the heart, beside congestion, small groups of eosiophilic cardiac fibers, with nuclear picnosis and vacuolation were found. In the kidney, congestion and swelling of epithelial cells was seen. The performed experiments show that rabbits are susceptible to poisoning with dried and fresh leaves of M. princeps. It is suggested that the toxic principle of M. princeps, responsible for the clinical and pathological picture in rabbits, may not be the same compound that causes poisoning in goats or that the rabbit reacts differently as react goats; rabbits showed liver and heart lesions whilst goats had kidney lesions.

Abstract in Portuguese:

RESUMO.- Maran N.B., Caldas S.A., Prado J.S., Gomes A.D., Tokarnia C.H. & Brito M.F. 2012. [Experimental poisoning of rabbits by Metternichia princeps (Solanaceae).] Intoxicação experimental por Metternichia princeps (Solanaceae) em coelhos. Pesquisa Veterinária Brasileira 32(9):872-880. Setor de Anatomia Patológica, Instituto de Veterinária, Universidade Federal Rural do Rio de Janeiro, Seropédica, RJ 23890-000, Brazil. E-mail: marilene@ufrrj.br Metternichia princeps, árvore que pertence à família Solanaceae, ocorre na Mata Atlântica desde o estado do Rio de Janeiro até a Bahia. É conhecida popularmente com os nomes de “café-do-mato”, “trombeteira” e “jasmin-do-morro”. Em um estabelecimento no município de Itaguaí, RJ, suspeitou-se que M. princeps era responsável por doença renal letal em caprinos. A intoxicação foi reproduzida experimentalmente nessa espécie, confirmando a suspeita. Foram então realizados experimentos em coelhos. Folhas de M. princeps foram coletadas no município de Itaguaí/RJ, local onde foi diagnosticada a intoxicação em caprinos. Onze coelhos receberam a planta dessecada, dez receberam a planta fresca e um coelho serviu como controle. As folhas dessecadas de M. princeps foram trituradas e misturadas com água. Inicialmente, a suspensão foi administrada por via intragástrica através de sonda a nove coelhos e causou a morte de sete coelhos nas doses a partir de 0,125g/kg. Dois coelhos que adoeceram mas sobreviveram às doses de 0,0625 e de 0,125g/kg, dois meses mais tarde receberam doses de 0,5 e 0,25g/kg, respectivamente, e morreram, o que indica que não houve desenvolvimento de tolerância à toxidez da planta. Adicionalmente, a planta dessecada, administrada a dois coelhos nas doses de 0,5 e 1g/kg seis meses após a coleta, causou a morte somente do coelho que recebeu a dose de 1g/kg, indicando que a planta armazenada perde em toxidez. Os brotos frescos causaram a morte de três dos seis coelhos, nas doses de 1,55g/kg a 3g/kg. As folhas maduras frescas causaram a morte de um dos quatro coelhos, na dose de 2g/kg, o que sugere que não há diferença na toxidez entre a brotação e as folhas maduras. As folhas dessecadas causaram a morte dos coelhos em doses menores que as folhas frescas, o que talvez possa ser explicado pelo modo de administração da planta; as folhas dessecadas eram administradas em poucos minutos, enquanto que as folhas frescas eram ingeridas durante um a dois dias, o que influenciaria a rapidez da absorção do princípio tóxico da planta. Tanto nos experimentos com as folhas dessecadas quanto com as folhas frescas (brotos e folhas maduras), predominaram no quadro clínico-patológico alterações relativas ao coração e ao fígado. A evolução da intoxicação foi superaguda a aguda. Os coelhos tornaram-se apáticos, com mucosas pálidas a cianóticas e orelhas frias, até que subitamente se debatiam na gaiola, faziam movimentos de pedalagem, vocalizavam, apresentavam acentuada dispneia e morriam. À necropsia, o fígado apresentava-se com evidenciação da lobulação; os demais órgãos estavam congestos e os vasos sanguíneos ingurgitados. À histopatologia, as lesões mais relevantes foram: no fígado, intensa congestão, especialmente centrolobular, tumefação acentuada dos hepatócitos e focos de necrose incipiente de hepatócitos; no coração, além de congestão, fibras cardíacas com aumento de eosinofilia, com picnose nuclear, fibras cardíacas com vacuolização, e no rim, congestão e tumefação de células epiteliais. Esses experimentos demonstram que o coelho é sensível à intoxicação pelas folhas dessecadas e frescas de M. princeps. Sugere-se que o princípio tóxico responsável pelo quadro clínico-patológico da intoxicação por M. princeps em coelhos não seja o mesmo princípio responsável pela intoxicação nos caprinos, ou que os coelhos reagem de maneira diferente dos caprinos; nos coelhos predominam alterações cardíacas e hepáticas enquanto que em caprinos as lesões são renais.


#7 - Natural and experimental poisoning by Metternichia princeps (Solanaceae) in goats, 32(9):903-911

Abstract in English:

ABSTRACT.- Prado J.S., Brito M.F., Caldas S.A., Yamasaki E.M., Barbosa J.D., Maia D.S. & Tokarnia C.H. 2012. [Natural and experimental poisoning by Metternichia princeps (Solanaceae) in goats.] Intoxicação natural e experimental por Metternichia princeps (Solanaceae) em caprinos. Pesquisa Veterinária Brasileira 32(9):903-911. Projeto Sanidade Animal Embrapa/UFRRJ, Seropédica, RJ 23890-000, Brazil. E-mail: julianapradomedvet@gmail.com From 2007 to 2009 a nephrotoxic disease of subacute course and high mortality in goats occurred on a farm in the county of Itaguaí, Rio de Janeiro. Metternichia princeps, a plant of the Solanaceae family, was suspected to be the cause. Through experiments in goats the clinical-pathological picture of poisoning by the plant and the lethal dose were established. For the experiments 12 young and adult goats of different races, both sexes and with weights above 15 kg were used. The goats that received 30g/kg in 5 days, 15g/kg in 3 days, single doses of 10g/kg and 5g/kg, all died. Of two goats that received single doses of 2.5g/kg, one died but the other did not show any clinical sign; a goat that received the single dose of 1.25g/kg also did not show any symptom of poisoning. First clinical signs were observed from 7 hours to 46h45min after the plant intake. The clinical course varied from 3h6min to 126h40min. First clinical signs were loss of appetite, adipsia, apathy and reluctance to move. After the animals entered in sternal decubitus and when they were placed in standing position, they kept their front limbs flexed, supported only by the posterior limbs on the floor until evolving into flexion of all four limbs followed by lateral decubitus. Postmortem examination revealed edema of the perirenal adipose tissue, pale kidneys which on the cut-surface showed whitish stripes from the cortex to the medullar area. At histopathology, severe coagulative necrosis of epithelial cells of the kidney tubules was seen. Compared with the natural cases, the goats experimentally poisoned by M. princeps, presented a similar clinic-pathological picture. By these experiments it could be proved that Metternichia princeps is the toxic plant that causes a nephrotoxic disease in goats in the Rio de Janeiro area; the minor lethal dose was 2,5g/kg in the experiments.

Abstract in Portuguese:

RESUMO.- Prado J.S., Brito M.F., Caldas S.A., Yamasaki E.M., Barbosa J.D., Maia D.S. & Tokarnia C.H. 2012. [Natural and experimental poisoning by Metternichia princeps (Solanaceae) in goats.] Intoxicação natural e experimental por Metternichia princeps (Solanaceae) em caprinos. Pesquisa Veterinária Brasileira 32(9):903-911. Projeto Sanidade Animal Embrapa/UFRRJ, Seropédica, RJ 23890-000, Brazil. E-mail: julianapradomedvet@gmail.com Entre os anos de 2007 e 2009 ocorreu uma doença nefrotóxica de evolução subaguda com alta mortandade em caprinos em uma propriedade no município de Itaguaí, estado do Rio de Janeiro. Levantou-se a suspeita de que Metternichia princeps, planta pertencente à família Solanaceae, seria a causa. Através de experimentação em caprinos o quadro clínico-patológico de intoxicação por esta planta e a dose letal foram estabelecidos. Na experimentação foram utilizados 12 caprinos de diferentes raças, de ambos os sexos, jovens a adultos, com pesos acima de 15 kg. Os animais que receberam as doses de 30g/kg em 5 dias, 15g/kg em 3 dias, doses únicas de 10g/kg e de 5g/kg, morreram. Dos três animais que receberam as doses únicas de 2,5g/kg, dois morreram e um não apresentou sinais clínicos e o animal que recebeu a dose única de 1,25g/kg, também não apresentou sinais clínicos. O início dos sinais clínicos após a administração da planta variou entre 7h e 46h45min. A evolução variou entre 3h6min e 126h40min. Os primeiros sinais clínicos apresentados foram inapetência, adipsia, apatia e relutância ao movimento. Em seguida os animais entravam em decúbito esternal e ao serem colocados em estação, mantinham os membros anteriores flexionados, apoiavam apenas os posteriores no chão até evoluírem para flexão dos quatro membros e seguia-se o decúbito lateral. À necropsia destacaram-se o edema de tecido adiposo perirrenal, rins pálidos e, ao corte, com estriação esbranquiçada desde o córtex até a região medular. À histopatologia foi verificada acentuada necrose coagulativa das células epiteliais dos túbulos uriníferos. Comparativamente aos casos naturais, os caprinos intoxicados experimentalmente por M. princeps apresentaram quadro clínico-patológico semelhante. Desta maneira foi comprovado que Metternichia princeps é responsável pela doença nefrotóxica em caprinos no Rio de Janeiro; a menor dose que causou a morte dos caprinos nos experimentos foi 2,5g/kg.


#8 - Protective effect of acetamide in cattle indicates that monofluoroacetate is the toxic principle of Palicourea marcgravii (Rubiaceae), 32(4):219-328

Abstract in English:

ABSTRACT.- Peixoto T.C., Nogueira V.A., Caldas S.A., França T.N., Anjos B.L., Aragão A.P. & Peixoto P.V. 2012. [Protective effect of acetamide in cattle indicates that monofluoroacetate is the toxic principle of Palicourea marcgravii (Rubiaceae).] Efeito protetor da acetamida em bovinos indica monofluoroacetato como princípio tóxico de Palicourea marcgravii (Rubiaceae). Pesquisa Veterinária Brasileira 32(4):219-328. Projeto Sanidade Animal Embrapa/UFRRJ, Seropédica, RJ 23890-000, Brazil. E-mail: tiagocpeixoto@yahoo.com.br The aim of the study was to evaluate and compare the protective effect of acetamide in experimental poisoning by fresh leaves of Palicourea marcgravii and monofluoroacetate (MF) in catlle, in order to prove in a practical way that this compound is the toxic principle responsible for the clinical signs and death of animals that ingested the plant. MF was administered orally in single doses of 0.5mg/kg to three cows; a few minutes later, two of these cows received, orally, single doses of acetamide (0.38 or 2.0g/kg). Two other cows ingested 1.0g/kg of P. marcgravii, and one of these cows received some minutes later 1.0g/kg of acetamide. Adequate doses of acetamide, administered right after the poisoning by P. marcgravii or MF, were able to prevented the onset of clinical signs and avoid the death of all animals. One week later, the experiments were repeated, but without the antidote. All animals not treated with acetamide showed symptoms of poisoning and died suddenly. MF and P. marcgravii caused the same clinical and pathological picture of “sudden death” in cattle. Clinically, the cattle presented palpitation, abdominal breathing, muscle tremors, engorged jugular vein with positive pulse, pollakiuria, slight loss of balance with sometimes swaying gait, the animals laying down and with the head on their flank. In the “dramatic phase”, all the animals fell into lateral decubitus, stretched the limbs, made paddling movements, presented opistotonus, arrhythmia, nystagmus, and died. The “dramatic phase” lasted from 2 to 26 minutes. At postmortem examination, the heart auricles, jugulars and pulmonary veins were slightly to moderately ingurgitated; slight to marked edema of the subserosa was seen in fixation sites of gall bladder to the liver. In one cow, pulmonary edema was observed. Histopathology revealed in all cows slight to marked hydropic-vacuolar degeneration of the epithelial cells of the distal convoluted uriniferous tubules associated with nuclear pyknosis. Coagulation necrosis of individual or groups of hepatocytes and slight to moderate hepatic congestion with numerous shock corpuscles were also observed. The experimental results showed in practice that MF is the toxic principle responsible for the clinical-pathological picture and death of the cattle that ingested P. marcgravii, since acetamide acts as an efficient antidote (antagonistic effect), identical in both poisonings.

Abstract in Portuguese:

RESUMO.- Peixoto T.C., Nogueira V.A., Caldas S.A., França T.N., Anjos B.L., Aragão A.P. & Peixoto P.V. 2012. [Protective effect of acetamide in cattle indicates that monofluoroacetate is the toxic principle of Palicourea marcgravii (Rubiaceae).] Efeito protetor da acetamida em bovinos indica monofluoroacetato como princípio tóxico de Palicourea marcgravii (Rubiaceae). Pesquisa Veterinária Brasileira 32(4):219-328. Projeto Sanidade Animal Embrapa/UFRRJ, Seropédica, RJ 23890-000, Brazil. E-mail: tiagocpeixoto@yahoo.com.br O presente trabalho teve como objetivo avaliar e comparar o efeito protetor da acetamida nas intoxicações experimentais por monofluoroacetato (MF) e por folhas frescas de Palicourea marcgravii em bovinos, no intuito de confirmar, de forma prática, que esse composto é o princípio tóxico responsável pelo quadro clínico-patológico e pela morte dos animais intoxicados por essa planta. Três bovinos receberam MF, por via oral, na dose de 0,5mg/kg e, em seguida, a dois desses animais administraram-se acetamida, por via oral, nas doses de 0,38 e 2,0g/kg. Outros dois bovinos receberam 1,0g/kg de P. marcgravii, em seguida, a um deles administrou-se 1,0 g/kg de acetamida. Acetamida, quando administrada em quantidades suficientes (maior dose), evitou o aparecimento dos sinais clínicos e a morte de todos os animais que receberam MF ou P. marcgravii. Tal efeito protetor foi, de fato, confirmado após uma semana, quando o mesmo protocolo experimental foi repetido, para cada bovino, porém sem a administração de acetamida. Todos os bovinos não tratados com acetamida manifestaram sinais clínicos e morreram subitamente. O quadro clínico-patológico manifestado pelos bovinos intoxicados por MF ou P. marcgravii foi semelhante e, caracterizou-se por “morte súbita”. Os animais em geral, apresentaram taquicardia, taquipnéia, tremores musculares, jugular repleta com pulso venoso positivo, polaquiúria, instabilidade, perda de equilíbrio, por vezes, cambaleavam e apoiavam a cabeça no flanco. Na fase final, todos os animais deitavam-se e levantavam-se com maior frequencia, deitavam ou caíam em decúbito lateral, esticavam os membros, faziam movimentos de pedalagem, apresentavam respiração ofegante, arritmia, opistótono, nistagmo, mugiam e morriam. A duração da “fase dramática” variou de 2 a 26min. À necropsia verificaram-se, em geral, aurículas, jugulares, ázigos e pulmonares leve a moderadamente ingurgitadas, leve a acentuado edema da subserosa da vesícula biliar, sobretudo, na sua inserção no fígado, bem como moderada quantidade de líquido espumoso róseo na traquéia e brônquios. O exame histopatológico revelou, no rim de todos os animais, leve até acentuada degeneração hidrópico-vacuolar das células epiteliais dos túbulos uriníferos contornados distais associada à picnose nuclear; no fígado, havia leve a moderada congestão, discreta a moderada tumefação e moderada vacuolização de hepatócitos, predominantemente, centrolobular, necrose de coagulação individual ou de grupos de hepatócitos e corpúsculos de choque. Os dados obtidos neste trabalho comprovam, de forma prática, que MF é o princípio tóxico de P. marcgravii responsável pelo quadro clínico-patológico e a morte dos animais que ingerem e se intoxicam naturalmente por essa planta, uma vez que a acetamida atua como antídoto eficaz (efeito antagônico) de forma idêntica em ambas as intoxicações.


#9 - Clinicopathological and laboratory aspects of experimental poisoning by Bothrops moojeni and Bothropoides neuwiedi snake venoms in sheep, 32(1):49-60

Abstract in English:

ABSTRACT.- Diefenbach A., Anjos B.L., Caldas S.A., Peixoto T.C., Brito M.F., Yamasaki E.M., Santa-Rita P.H. & Tokarnia C.H. 2012. [Clinicopathological and laboratory aspects of experimental poisoning by Bothrops moojeni and Bothropoides neuwiedi snake venoms in sheep.] Aspectos clinicopatológicos e laboratoriais do envenenamento experimental por Bothrops moojeni e Bothropoides neuwiedi em ovinos. Pesquisa Veterinária Brasileira 32(1):49-60. Curso de Pós-graduação em Ciências Veterinárias, Universidade Federal Rural do Rio de Janeiro, Seropédica, RJ 97105-900, Brazil. E-mail: tokarnia@ufrrj.br Spontaneous envenoming by snake bite is described as a cause of death in domestic animals. However, there are just few information about the species of snake involved, course, and clinicopathological and laboratory findings. Thus, this research aimed to determine the clinicopathological and laboratory changes induced by Bothrops moojeni and Bothropoides neuwiedi snake venoms in sheep, in order to provide additional information regarding snakebites in farm animals and to help establish the diagnosis of this condition. The lyophilized snake venoms were dissolved in 1mL saline solution and administered subcutaneously into the right face of four sheep, at doses of 0.41mg/kg and 0.82mg/kg of B. moojeni venom for two sheep, and 1.0mg/kg of B. neuwiedi venom for two other sheep. Only the sheep which had received the lowest dose (0.41mg/kg) survived, but developed severe clinical signs, similar to the others. First clinical signs were observed about 10 minutes after inoculation in all sheep. The course varied from 2 to 4 days. The clinical findings in all sheep were characterized by apathy, marked swelling of the face, the ventral neck and esternal region, and mild swelling of the proximal portion of the forelimbs, as well as increased bleeding time, tachycardia, pale mucous membranes, and large quantity of undigested blood in the intestinal lumen. Laboratory exams showed mainly a reduction in serum protein and increased creatine kinase in all sheep. At necropsy, extensive hematomas were observed in the subcutaneous tissue of the swollen areas. Also petechiae, bruises and mild to moderate hemorrhagic suffusions on the serosa of various organs, and blood within the intestinal contents of the distal rectum were observed. In addition to hemorrhages, the main histopathological changes were necrosis of skeletal muscle fibers and blood vessel walls next to the inoculation site. The swollen areas on face, neck, sternum and limbs of the sheep were due the hematomas.

Abstract in Portuguese:

RESUMO.- Diefenbach A., Anjos B.L., Caldas S.A., Peixoto T.C., Brito M.F., Yamasaki E.M., Santa-Rita P.H. & Tokarnia C.H. 2012. [Clinicopathological and laboratory aspects of experimental poisoning by Bothrops moojeni and Bothropoides neuwiedi snake venoms in sheep.] Aspectos clinicopatológicos e laboratoriais do envenenamento experimental por Bothrops moojeni e Bothropoides neuwiedi em ovinos. Pesquisa Veterinária Brasileira 32(1):49-60. Curso de Pós-graduação em Ciências Veterinárias, Universidade Federal Rural do Rio de Janeiro, Seropédica, RJ 97105-900, Brazil. E-mail: tokarnia@ufrrj.br O envenenamento ofídico espontâneo, ou acidente ofídico, é descrito como causa de morte em animais domésticos. No entanto, dados concretos relativos ao gênero e espécie de serpente envolvida, à evolução do quadro clínico, e às alterações clinicopatológicas desenvolvidas, são escassos. Assim sendo, este trabalho teve como objetivo determinar as alterações clinicopatológicas e laboratoriais provocadas pelo veneno de Bothrops moojeni e Bothropoides neuwiedi em ovinos no intuito de fornecer informações adicionais referentes a acidentes ofídicos em animais de produção, auxiliando o estabelecimento do diagnóstico dessa condição. Os venenos liofilizados foram diluídos em 1 ml de solução fisiológica e administrados a quatro ovinos por via subcutânea na face direita, nas doses de 0,41mg/kg e 0,82mg/kg do veneno de B. moojeni em dois ovinos, e de 1,0mg/kg do veneno de B. neuwiedi em dois ovinos. Apenas o ovino que recebeu a menor dose (0,41mg/kg) sobreviveu, apesar de ter desenvolvido quadro clínico muito severo e semelhante aos demais. Os sinais clínicos iniciaram nos primeiros 10 minutos após a inoculação em todos os ovinos. O período de evolução variou de dois a quatro dias. O quadro clínico dos quatro ovinos caracterizou-se por apatia, acentuado aumento de volume da face, da porção ventral do pescoço e do peito, leve aumento de volume da porção proximal dos membros anteriores, tempo de sangramento aumentado, taquicardia, mucosas pálidas e grande quantidade de sangue não digerido nas fezes. Ao exame laboratorial observou-se principalmente redução das proteínas plasmáticas e aumento de creatinaquinase em todos os ovinos. À necropsia, foram observados extensos hematomas nas áreas correspondentes ao aumento de volume subcutâneo. Observaram-se petéquias, equimoses e sufusões leves a moderadas na serosa de diversos órgãos e acúmulo de sangue em meio às fezes na porção final do reto. Além de hemorragias, a principal alteração histopatológica observada foi necrose das fibras musculares esqueléticas e da parede de vasos, nas áreas próximas à inoculação do veneno. Nos ovinos deste estudo o aumento de volume, observado na face, pescoço, peito e membros, era constituído por sangue.


#10 - Monofluoroacetate poisoning in animals, 31(10):823-838

Abstract in English:

ABSTRACT.- Nogueira V.A., Peixoto T.C., França T.N., Caldas S.A. & Peixoto P.V. 2011. [Monofluoroacetate poisoning in animals.] Intoxicação por monofluoroacetato em animais. Pesquisa Veterinária Brasileira 31(10):823-838. Projeto Sanidade Animal Embrapa/UFRRJ, Seropédica, RJ 23890-000, Brazil. E-mail: vivianmedvet@yahoo.com.br Monofluoroacetate (MF) or monofluoroacetic acid is used in Australia and New Zealand for control of native or exotic mammals. The compounds are prohibited in Brazil, as they remain stable for decades and as risk for poisoning of animals and men exists. Cases of criminal and accidental poisonings have been reported in the country. MF was identified in several poisonous plants, the ingestion of which causes “sudden death” in cattle in South Africa, Australia and Brazil. The poisoning leads in the Krebs cycle to the formation of fluorocitrate, its active metabolite, what competitively blocks aconitase in the cycle, with decrease in the production of ATP. Animal species have been classified into four categories regarding the effects caused by MF: (I) on heart, (II) heart and central nervous system, (III) central nertvous system or (IV) with atypical symptoms. In this paper, we present an updated critical review on MF poisoning. The diagnosis is made through the history of ingestion of the poison, by clinical findings and confirmation through toxicological examination. Vacuolar-hydropic degeneration of the epithelial cells of the distal convoluted kidney tubules has been considered as characteristic of the poisoning in animal species. The treatment of MF poisoning is a challenge, since there is still not known any agent that effectively can reverse the poisoning, which generally is fatal.

Abstract in Portuguese:

RESUMO.- Nogueira V.A., Peixoto T.C., França T.N., Caldas S.A. & Peixoto P.V. 2011. [Monofluoroacetate poisoning in animals.] Intoxicação por monofluoroacetato em animais. Pesquisa Veterinária Brasileira 31(10):823-838. Projeto Sanidade Animal Embrapa/UFRRJ, Seropédica, RJ 23890-000, Brazil. E-mail: vivianmedvet@yahoo.com.br O monofluoroacetato (MF) ou ácido monofluoroacético é utilizado na Austrália e Nova Zelândia no controle populacional de mamíferos nativos ou exóticos. O uso desse composto é proibido no Brasil, devido ao risco de intoxicação de seres humanos e de animais, uma vez que a substância permanece estável por décadas. No Brasil casos recentes de intoxicação criminosa ou acidental têm sido registrados. MF foi identificado em diversas plantas tóxicas, cuja ingestão determina “morte súbita” de bovinos na África do Sul, Austrália e no Brasil. O modo de ação dessa substância baseia-se na formação do fluorocitrato, seu metabólito ativo, que bloqueia competitivamente a aconitase e o ciclo de Krebs, o que reduz produção de ATP. As espécies animais têm sido classificadas nas quatro Categorias em função do efeito provocado por MF: (I) no coração, (II) no sistema nervoso central (III) sobre o coração e sistema nervoso central ou (IV) com sintomatologia atípica. Neste trabalho, apresenta-se uma revisão crítica atualizada sobre essa substância. O diagnóstico da intoxicação por MF é realizado pelo histórico de ingestão do tóxico, pelos achados clínicos e confirmado por exame toxicológico. Uma forma peculiar de degeneração hidrópico-vacuolar das células epiteliais dos túbulos uriníferos contorcidos distais tem sido considerada como característica dessa intoxicação em algumas espécies. O tratamento da intoxicação por MF é um desafio, pois ainda não se conhece um agente capaz de reverte-la de maneira eficaz; o desfecho geralmente é fatal.


Colégio Brasileiro de Patologia Animal SciELO Brasil CAPES CNPQ UNB UFRRJ CFMV
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